A Enel Distribuição Ceará ficou de fora da lista de concessionárias autorizadas a renovar seus contratos de distribuição de energia elétrica, divulgada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no Diário Oficial da União (DOU) da última segunda-feira (6).
Ao todo, o governo federal aprovou a prorrogação de contratos de 14 distribuidoras de energia no país. No entanto, nenhuma das três empresas do grupo Enel no Brasil — Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo — foi contemplada na lista.
Processo segue indefinido
Apesar da ausência, a situação não representa, até o momento, uma negativa definitiva por parte do governo. O caso da Enel Ceará ainda segue em análise e levanta dúvidas sobre os próximos passos do processo de renovação.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) havia recomendado, no último dia 7 de abril, a renovação da concessão da distribuidora cearense. Mesmo assim, o ministério ainda não convocou a empresa para assinatura do novo contrato.
Procurado, o MME não se manifestou sobre os motivos da não inclusão da Enel Ceará na lista. A matéria será atualizada caso haja posicionamento oficial.
Em nota, a empresa afirmou que o processo segue o trâmite normal:
“A Enel esclarece que o processo de renovação antecipada da concessão da Enel Ceará já recebeu a aprovação da Aneel e segue agora os ritos formais do procedimento, que passará pela aprovação do Ministério de Minas e Energia.”
Contrato vigente até 2028
A concessão atual da Enel Ceará é válida até 2028, e a empresa busca a renovação por mais 30 anos. O processo de análise na Aneel durou cerca de um ano e considerou indicadores de desempenho da companhia.
Diante de falhas registradas em períodos anteriores, a distribuidora aderiu ao chamado “Plano de Resultados”, instrumento legal que prevê investimentos estruturais para corrigir problemas no fornecimento de energia. O plano foi aprovado pelo MME em outubro de 2025.
Enel é única com pendências no país
Atualmente, 19 distribuidoras com contratos até 2031 passam pelo processo de renovação no Brasil. Dessas, apenas três seguem com pendências — todas pertencentes ao grupo Enel: Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo.
No caso do Rio de Janeiro, a recomendação de renovação também já havia sido feita pela Aneel, ainda em agosto de 2025, mas igualmente não houve aval do ministério até agora.
Situação crítica em São Paulo
Já a Enel São Paulo enfrenta um cenário mais grave. A Aneel formou maioria para abrir processo de caducidade do contrato, o que pode resultar no encerramento da concessão.
A empresa terá prazo de 30 dias para apresentar defesa. Após essa etapa, a agência reguladora decidirá se recomenda a manutenção ou a rescisão do contrato ao Ministério de Minas e Energia, responsável pela decisão final.
O serviço prestado pela Enel em São Paulo tem sido alvo de críticas, principalmente após sucessivos apagões. Um dos episódios mais recentes, em dezembro de 2025, deixou cerca de 4,4 milhões de pessoas sem energia.
A Aneel destacou que a empresa não conseguiu corrigir falhas estruturais ao longo dos anos e acumula penalidades que somam aproximadamente R$ 320 milhões.
Cenário de atenção no Ceará
Embora a situação da Enel Ceará ainda não seja considerada crítica como a de São Paulo, a ausência na lista de renovação acende um alerta para consumidores e autoridades locais. O desfecho dependerá das próximas decisões do governo federal, que poderá definir o futuro da concessão nos próximos meses.