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Quarta-feira, 12 de Agosto 2026
Ceará

Investigações revelam infiltração do crime organizado em pelo menos seis Câmaras Municipais do Ceará

Prisões, afastamentos de mandatos, cassações e até recontagem de votos atingem casas legislativas pelo Estado; em Morada Nova, quase metade dos vereadores foi detida.

Redação Icó News
Por Redação Icó News
Investigações revelam infiltração do crime organizado em pelo menos seis Câmaras Municipais do Ceará
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As investigações sobre a interferência de organizações criminosas na política cearense vêm expondo um cenário alarmante no Poder Legislativo municipal. Pelo menos seis Câmaras de Vereadores do Ceará já foram diretamente impactadas por operações policiais ou decisões da Justiça Eleitoral apontando o envolvimento de parlamentares e suplentes com facções.

O caso mais recente ocorreu em Sobral, onde a Operação Omertá, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) e pelas forças de segurança, cumpriu mandados contra parlamentares locais. Os vereadores Carlos do Calisto (PSB), Mário Vicktor (União Brasil) e Junim do Povo (Podemos) foram presos preventivamente e afastados dos cargos pelo prazo inicial de 180 dias. Um quarto parlamentar, Marlon Sobreira (PP), foi alvo de busca e apreensão.

As investigações apontam que a facção atuante no município cobrava "pedágios" de R$ 30 mil a R$ 60 mil para permitir que candidatos realizassem campanha de rua em determinados territórios, além de intimidar eleitores. O volume de investigados em Sobral representa quase 20% do legislativo da cidade.

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O cenário mais grave foi registrado em Morada Nova, a 170 km de Fortaleza. No primeiro semestre de 2026, seis dos 15 vereadores do município foram presos por suspeita de ligação com a facção Guardiões do Estado (GDE) — número que corresponde a quase metade da Câmara Municipal.

Durante as operações Traditori e Consorte, foram detidos os vereadores Hilmar Sérgio (PT, então presidente da Casa), Gleide Rabelo (PT), Régis Rumão (PP), Júnior do Dedé (PSB), Cláudio Maroca (PT) e Weder Basílio (PP). A apuração revelou um esquema de lavagem de dinheiro vindo do tráfico de drogas para financiar campanhas eleitorais, exigindo em troca contrapartidas políticas, como a nomeação de integrantes do grupo criminoso para cargos comissionados no legislativo.

Cassações, homicídio e recontagem de votos

O avanço do crime organizado na política municipal estende-se por várias regiões do Estado:

  • Canindé: O vereador Geovane Gonçalves (SD) foi denunciado pelo MPCE por integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro, após ser afastado do cargo. Na esfera eleitoral, a vereadora Professora Lorena (PRD) teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) por abuso de poder econômico, com a apuração indicando que a responsável pelo seu comitê eleitoral era ligada à GDE.

  • Tejuçuoca: O vereador Gerlano Cabeludo (MDB) foi alvo de mandado de prisão temporária em uma operação que apurava envolvimento com grupo criminoso e a investigação de um homicídio na região.

  • Iguatu: A Justiça Eleitoral determinou a recontagem de votos para a Câmara após anular os votos do suplente Jocélio Viana (PSD). Ele foi tornado inelegível por oito anos após a comprovação de que ofereceu R$ 50 mil a um liderança do tráfico local para obter apoio nas urnas.

  • Fortaleza: O suplente de vereador Juninho Aquino (Avante), que chegou a assumir uma vaga no legislativo da capital, teve o diploma cassado por abuso de poder e coerção a adversários políticos nas eleições de 2024, em caso ainda em recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O que dizem os citados

Em Sobral, a Câmara Municipal declarou em nota que acompanha o caso e está à disposição das autoridades.

Nas demais apurações, as defesas dos parlamentares citados alegam inocência e afirmam que os acusados são alvos de perseguição política ou que provarão a idoneidade de suas condutas no decorrer das ações judiciais. Nos processos mantidos sob segredo de Justiça, os advogados buscam revogar as medidas cautelares e prisões decretadas.

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