O Ceará registrou em agosto de 2025 o mês mais violento do ano, com 281 mortes, segundo levantamento da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), vinculada à Secretaria da Segurança Pública (SSPDS). O número é o mesmo registrado em agosto de 2021 e supera os dados dos anos seguintes: em 2024, foram 254 mortes; em 2023, 255; e em 2022, 250.
No acumulado do ano, entre janeiro e agosto, foram contabilizadas 1.970 mortes violentas no estado. Apesar do aumento expressivo em agosto, o total do ano até agora representa uma queda em relação ao mesmo período de 2024, quando houve 2.214 ocorrências — 244 a mais que neste ano.
Perfil das vítimas
O levantamento da Supesp aponta que os homens representaram 89,32% das vítimas em agosto, enquanto as mulheres responderam por 10,68% dos casos. A maioria dos assassinatos (95%) foi classificada como homicídio doloso, ou seja, quando há intenção de matar. Jovens entre 18 e 41 anos corresponderam a 71% dos mortos.
Onde a violência foi mais intensa
Fortaleza e Região Metropolitana concentraram a maior parte dos homicídios, com 158 registros. Na sequência aparece o Interior Norte, com 89 casos. Confira as cidades com maiores índices de mortes em agosto:
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Fortaleza: 80
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Caucaia: 23
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Maracanaú: 18
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Sobral: 13
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Amontada: 11
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Maranguape: 10
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Itapajé: 6
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Pacatuba: 6
O caso de Itapajé chamou atenção: a cidade, com pouco mais de 49 mil habitantes, registrou seis mortes em duas semanas, incluindo a execução de dois empresários, supostamente ordenada por uma facção criminosa. Já Amontada, com cerca de 44 mil moradores, teve 11 homicídios, número próximo ao de Sobral, que tem população cinco vezes maior.
O que diz a Secretaria da Segurança
Em nota, a SSPDS destacou que, apesar do pico em agosto, o Ceará apresentou redução de 11% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) no acumulado de 2025. Todas as regiões do estado registraram queda no comparativo com 2024.
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Fortaleza: redução de 7,7% (44 casos a menos)
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Região Metropolitana de Fortaleza: retração de 11,1%
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Interior Sul: queda de 22,8%
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Interior Norte: redução de 5,1%
A pasta também ressaltou investimentos feitos na segurança pública, como a entrega de mais de 3,500 equipamentos de radiocomunicação, a convocação de 3.053 novos agentes desde 2023 e a criação de novas seções de inteligência em todas as Áreas Integradas de Segurança.