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Domingo, 22 de maio de 2022
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Ceará

Com Covid em queda, outras doenças sazonais alertam autoridades de saúde; saiba quais

Nesse período, já é esperado o aumento de determinadas enfermidades no Ceará, mas é preciso evitar grandes surtos que possam sobrecarregar a rede

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A transmissão da Covid em Fortaleza é considerada limitada e residual, no atual momento. Isso não significa que se pode baixar a guarda, e sim que a preocupação com a doença não é mais tão extrema, como já foi.

Mas, no cenário epidemiológico, devido à sazonalidade, sobretudo, ligada à quadra chuvosa, autoridades de saúde olham com atenção e pedem reforço no cuidado de: síndromes gripais, principalmente em crianças; as arboviroses e até pneumonias atípicas.

Nesse período, geralmente, já é esperado que haja no Ceará aumento de doenças como influenza e dengue, por exemplo.Mas, o que se busca evitar é que ocorram grandes surtos que possam gerar uma sobrecarga na rede de atendimentos e os pacientes acabem sofrendo ainda mais com a alta demanda. 

 

 
Por isso, essas enfermidades são as que mais preocupam no atual momento e há monitoramento da ocorrência de casos acima do previsto, bem como acompanhamento se eles são mais graves que o esperado.  

 

Diário do Nordeste ouviu profissionais da área da saúde para explicar quais as doenças sazonais demandam atenção e o que pode ser feito para evitá-las. São elas: 

  • Síndromes gripais
  • Arboviroses
  • Pneumonias atípicas

Apesar da queda, cuidado com Covid permanece

Em Fortaleza, a terceira onda da Covid foi finalizada em março de 2022, e agora “a transmissão é considerada limitada, residual e circunscrita a nichos”, explica o gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Antônio Lima. 

O pico de transmissão da ômicron, lembra ele, se concentrou em janeiro. Depois a queda foi muito rápida. Há 40 dias, diz, a média móvel de casos em Fortaleza está entre 10 e 20 casos por dia, “que é muito pequena para uma cidade de 2,6 milhões de habitantes”, completa. 

 

 
Mas isso não significa que é possível relaxar. A Covid continua sendo alvo de atenção, das autoridades sanitárias, até que, de fato, a pandemia chegue ao fim.

 

A médica de família e professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Magda Almeida, ressalta que “a Covid é uma síndrome gripal e pode ter mutações”. 

 

 
"À medida que vai passando o tempo, a imunidade vai caindo, por isso o reforço na imunização. Não é o caso de esquecer a Covid, é preciso estar bastante atento. Continuar fazendo exame. Sequenciamento genético para que o vírus não se dissemine rápido”. 
MAGDA ALMEIDA
Médica e professora da Faculdade de Medicina da UFC

 

Síndromes gripais e olhar atento às crianças

Em relação às síndromes gripais, cujo aumento já é esperado nesse período do ano, têm alertado a demanda, sobretudo, de crianças doentes. 

Em Fortaleza, nas 12 Unidades de Pronto Atendimento (Autran Nunes, Bom Jardim, Canindezinho, Conjunto Ceará, Cristo Redentor, Edson Queiroz, Itaperi, Jangurussu, José Walter, Messejana, Praia do Futuro e Vila Velha), os atendimentos por síndromes gripais foram: 

  • Janeiro: 37.914
  • Fevereiro: 8.122
  • Março: 11.695
  • Abril: 12.945

Desses, 12.536 foram atendimento de crianças de menos de um ano a 9 anos de idade. 

Antônio Lima diz que uma série de aspectos podem fazer crescer o número de casos e o que pode estar ocorrendo, dentre outras explicações, é que as crianças voltaram a conviver mais e muitas delas, devido às restrições da pandemia, não adquiriram a imunidade natural, e o sistema imunológico não se desenvolveu tanto.

Outro ponto que pode explicar esse aumento de casos está ligado às coberturas vacinais. Tanto pela perspectiva que os índices de imunização precisam crescer para reduzir a exposição das crianças a diversos vírus, como é também discutido que há o gargalo do período tardio da vacina contra a influenza, por exemplo, no Nordeste. 

 

 
“Há uma discussão do Nordeste sobre a antecipação das vacinas contra a gripe, porque nossa quadra chuvosa é de fevereiro. Mas, acabamos vacinando em abril, quando parte das crianças já adoeceram. É uma questão antiga e histórica. Há muito tempo nós pedimos (ao Ministério da Saúde) para antecipar o Calendário Nacional de Vacinação da Gripe nas cidades do Norte e Nordeste.”. 
ANTÔNIO LIMA
Epidemiologista e gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde

 

No Sudeste, lembra ele, o crescimento da circulação do vírus respiratórios é associado à queda das temperaturas. Já no Norte e Nordeste a sazonalidade é relacionada à chuva. 

Para evitar que a transmissão aumente, é preciso manter medidas de higienização também adotadas contra a Covid, como o uso de máscaras quando houver algum sintoma gripal e limpeza constante das mãos. “Precisa manter as medidas de etiqueta respiratória e fazer testes. Além disso, não mandar criança para creche se estiver com sintomas”, acrescenta a médica Magda Almeida. 

Outro ponto é que as gestões (prefeituras e governos) precisam monitorar os casos, justamente para que naqueles em que há maior gravidade e demandas por internações, haja assistência adequada, com o remanejo do paciente de unidade ou a ampliação de leitos.

Das arboviroses, Chikungunya predomina

Em relação às arboviroses, Antônio Lima, Gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da SMS, diz que os casos de dengue são poucos e estão dentro do esperado. “Provavelmente, vamos passar sem epidemia”, completa. Conforme o boletim epidemiológico mais recente, foram 908 casos até o dia 23 de abril

Já chikungunya, não. Segundo o boletim, foram 1.061 ocorrências. Antônio explica que o padrão de transmissão de chikungunya teve duas ondas sucessivas na Capital, em 2016 e 2017.

Esse ano “tivemos um aumento muito concentrado em áreas da regional seis, em bairros como Cidade dos Funcionários, Luciano Cavalcante, Jardim das Oliveiras”, completa.

De acordo com ele, a circulação retornou, mas ainda há uma imunidade. “Está circulando nas áreas que foram menos afetadas antes. Ainda vai haver transmissão e alguma dispersão para outros bairros”, completa. 

A orientação é recorrente todos os anos: não deixar água acumulada para não gerar criadouros para o mosquito transmissor. Esse ano, um dos gargalos que se repete no combate é que áreas como quintais e aquelas que acumulam entulho são as que mais resultam em foco.  

Ocorrência de casos de pneumonias atípicas

Outra doença que tem ocorrido com frequência, relata a médica e professora da Faculdade de Medicina da UFC, Magda Almeida, é a chamada “pneumonia atípica”.

 

 
“Temos três tipos de bactérias, a gram-positiva, a gram-negativa e os germes que chamamos atípicos. Eles causam quadro de infecção viral e não dão a pneumonia bacteriana, mas dão a pneumonia atípica, que tem um exame parecido com o vírus, mas o exame de sangue é parecido com o de bacteria”. 
MAGDA ALMEIDA
Médica e professora da Faculdade de Medicina da UFC

 

Esse tipo de pneumonia, diferente das mais habituais, que são causadas por bactéria (pneumococo, uma bactéria gram-positiva) e tem vacina para prevenir, geralmente é transmitida por meio do contato com gotículas de saliva da pessoa infectada. 

Além disso, lembra Magda, as doenças imunopreveníveis, como coqueluche e sarampo, se a cobertura vacinal for baixa, a população acaba ficando suscetível. Tudo isso, reforça ela, influencia um cenário de maior ou menor alerta diante das ocorrências.

Fonte/Créditos: DN

Créditos (Imagem de capa): DN

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