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Sabado, 18 de Abril de 2026

Ceará

Ceará surpreende com chuvas 25,6% acima da média em 2024

Período chuvoso desafia previsões de seca e registra melhores índices desde 2009, impactando positivamente os reservatórios estaduais

Redação Icó News
Por Redação Icó News
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Ceará surpreende com chuvas 25,6% acima da média em 2024
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O período chuvoso do Ceará, que se estende de fevereiro a maio, encerrou em 2024 com um acumulado de 764,8 milímetros, superando a média histórica de 609,2 mm em 25,6%, segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Este resultado, o melhor desde 2009, quando foram registrados 966,7 mm, contrasta com os prognósticos iniciais que previam um ano de seca.

A análise mensal mostra que maio registrou 74,6 mm de precipitação, abaixo da média de 90,7 mm. Abril quase alcançou a marca "acima da média" com 226,1 mm, contra uma normal de 190,7 mm. Em março, as chuvas somaram 233,3 mm, superando a média de 206,5 mm. O destaque foi fevereiro, com 230,7 mm, quase o dobro da média de 121,3 mm.

As regiões mais afetadas foram o Litoral de Fortaleza, com 1.248,5 mm (51% acima da média de 827 mm), e o Litoral do Pecém, que acumulou 999,6 mm, superando a média de 676,5 mm. Morgana Almeida, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), atribui esse cenário à Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e ao aquecimento das águas do Atlântico. "A ZCIT esteve mais ativa devido às anomalias positivas de temperatura no Atlântico, que influenciaram mais do que o Pacífico", explica.

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Impacto nos Reservatórios

As chuvas contribuíram para um aporte de 9,45 bilhões de metros cúbicos nos açudes monitorados, o melhor resultado em 15 anos. No entanto, 20 reservatórios estão abaixo de 30% de capacidade. As bacias do Alto Jaguaribe e Sertões de Crateús apresentam os menores volumes, com 23,8% e 37,2% de água, respectivamente.

A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) monitora 157 açudes no Ceará. O Açude Castanhão, principal reservatório do Estado, está com 36,3% da capacidade. Atualmente, 50 reservatórios estão sangrando e outros 32 têm mais de 90% do volume acumulado.

Prognósticos e Fenômenos Envolvidos

Em dezembro, a previsão era de seca devido ao El Niño, que aquece o Oceano Pacífico e reduz as chuvas no Nordeste. Em janeiro, a Funceme apontou 45% de probabilidade de chuvas abaixo da média entre fevereiro e abril, 15% de probabilidade acima da média e 40% em torno da média. No entanto, em abril, a previsão mudou com o enfraquecimento do El Niño.

Francisco Vasconcelos Júnior, pesquisador da Funceme, destacou em entrevista ao Diário do Nordeste que "os grandes centros de pesquisa previam seca, mas as condições mudaram rapidamente". O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe também havia projetado chuvas abaixo da média para o trimestre março-abril-maio.

Segundo Vasconcelos, o aquecimento do Atlântico Tropical foi determinante. "Este evento do Atlântico aquecido nunca foi visto na história recente", afirmou. A Zona de Convergência Intertropical também teve forte atividade, contribuindo para as chuvas expressivas, especialmente em fevereiro.

Expectativas para o Futuro

Com a transição para La Niña, que traz um período mais seco, é importante monitorar as condições climáticas e a gestão dos recursos hídricos. A Funceme ainda não respondeu à solicitação de análise da distribuição de chuvas entre os municípios e dos fenômenos observados em 2024.