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Terça-feira, 21 de Abril de 2026

Ceará

Setembro Amarelo: prevenção ao suicídio precisa de diálogo e de compreensão da atuação de profissionais de saúde mental

Setembro é o mês de mobilização sobre prevenção ao suicídio

Redação Icó News
Por Redação Icó News
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Setembro Amarelo: prevenção ao suicídio precisa de diálogo e de compreensão da atuação de profissionais de saúde mental
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Setembro é o mês de mobilização sobre prevenção ao suicídio. Apesar de a temática não ser abordada com frequência, em decorrência das fragilidades que orbitam o assunto, a campanha “Setembro Amarelo” busca alertar sobre a importância do diálogo como uma estratégia para salvar vidas. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio, que pode ser causado por vários fatores, dentre eles um excessivo grau de sofrimento, ainda é uma das principais causas de morte no planeta.

De acordo com Helder Gomes, diretor clínico do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), unidade referência da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) para tratamentos psiquiátricos, no intervalo de um ano, há mais suicídios do que mortes por acidentes de moto no Estado. “Temos registros de mais de um caso de suicídio por dia. No Brasil, temos dados de que, a cada 45 minutos, uma pessoa causa a própria morte de forma intencional, o que consideramos muito alarmante”, pontua.

Prevenção


Os dados elevados no País sugerem que não falar sobre o tema é um risco. Gomes destaca que promover conversas sobre o suicídio ajuda a desestigmatizá-lo. “Sabemos que ainda há um preconceito importante em relação a fazer um acompanhamento em saúde mental, com psiquiatra e psicólogo, porque muitas pessoas pensam que esse tipo de atendimento é voltado para quem é considerado ‘louco’, como se os profissionais atendessem um perfil de paciente com maior complexidade. Mas não é assim. Os psiquiatras dão assistência, por exemplo, a casos de depressão e ansiedade, em que os pacientes não têm o juízo da realidade comprometido”, explica o médico.

Para trabalhar a prevenção, continua o diretor clínico, “precisamos discutir e trazer à tona esse assunto para a população, que é um dos objetivos do Setembro Amarelo: fazer com que as pessoas possam procurar o atendimento de forma precoce, antes de chegar a uma situação tão grave.

Possíveis causas


Especialistas identificam transtornos mentais na maior parte das pessoas que se suicidam ou tentam cometer suicídio, porém, as causas são variadas. Dentre os principais transtornos observados no HSM, destacam-se os de humor, como a depressão e a bipolaridade; a esquizofrenia e a dependência química. Em outras circunstâncias, no entanto, o suicídio acontece de maneira impulsiva diante de situações impactantes e estressoras.

“Diversos transtornos mentais podem levar pacientes a tentarem o suicídio, porém, o mais comumente observado é a depressão, responsável por cerca de 60% das tentativas. Além disso, o nosso ritmo de vida, cada vez mais acelerado, interfere nesse cenário, visto que é percebida uma exigência da sociedade para um bom desempenho pessoal no papel familiar, no trabalho; há pressões de padrão de beleza, de uma vida com maior lazer, o que pode ser desgastante para algumas pessoas, configurando um fator de risco para pensamentos de suicídio”, analisa Helder Gomes.

Sinais de alerta

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O psiquiatra orienta a população a procurar atendimento médico diante dos primeiros sinais sugestivos. “Geralmente, a pessoa comunica o desejo de morrer, que sente um vazio, que é um peso para os outros, que não tem esperança e demonstra uma tristeza extrema”, exemplifica.

Outros comportamentos que podem ser observados são: sentir-se preso, sem razão para viver; ansioso e agitado; com raiva ou dor insuportável; dizer “adeus” em situações pontuais; distribuir itens importantes ou fazer testamentos; ter atitudes arriscadas, como dirigir em alta velocidade; usar maior quantidade de álcool e drogas; dormir demais, como uma estratégia de fuga da realidade; ter pensamentos repetitivos; comer em excesso ou não comer; apresentar alterações extremas de humor com desejo de permanecer isolado na maior parte do tempo; pensar em formas de se matar; produzir autolesões ou envolver-se em outros comportamentos de risco e ouvir vozes de comando.

Acompanhamento e tratamento


O psiquiatra e diretor do HSM orienta a população quanto ao acompanhamento e tratamento dos pacientes. “É sempre importante incentivar a pessoa que está apresentando sinais de que pretende cometer suicídio a procurar ajuda especializada, levando o paciente até uma unidade de saúde, como o Hospital de Saúde Mental, que possui a única emergência psiquiátrica do Ceará e atende a demandas graves de todo o Estado”, orienta.

Casos emergenciais podem ser encaminhados ao HSM ou para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas a continuidade do acompanhamento pode ser feita em unidades básicas (postos de saúde), Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou instituições filantrópicas.

O Estado do Ceará, através da Sesa, disponibiliza uma ferramenta gratuita online de atendimento por psicólogo para essa finalidade de prevenção ao suicídio, o Plantão Psicológico Provida, que funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19, pelo whatsapp (85) 98439-0647 ou pelo site da Secretaria da Saúde (no botão plantão saúde ceará, localizado no canto inferior direito da tela). Pela ferramenta, os pacientes podem remarcar atendimento até três vezes e, se houver necessidade, serem encaminhados para uma unidade do Caps.

Existe, ainda, um canal de ajuda remota do Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do telefone 188 ou do site www.cvv.org.br.

Estatística


Na Sesa, dados sobre suicídio são acompanhados e estudados pela Coordenadoria de Políticas de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas (Copom). Analisando os indicadores, é perceptível o impacto da pandemia nos números. Em 2021, a taxa de mortalidade por suicídios cresceu 11% perante 2020. “São muitos fatores, mas a pandemia afetou nesse cenário. O isolamento social é um fator. O convívio social difere os humanos de outros animais. Além disso, a instabilidade no trabalho, a redução de salários, tudo isso afetou o comportamento das pessoas”, explica Renata Pinheiro, coordenadora da Copom.

No Ceará, a maior parte dos suicídios ocorre nas faixas etárias de 20 a 49 anos e na etnia parda. Nas estatísticas estaduais e nacionais, os homens tiram mais a própria vida (cerca de 80% dos casos), mas as mulheres tentam mais. Entende-se que esse fato se deve ao preconceito masculino em buscar ajuda de psicólogos ou psiquiatras. Os estigmas, segundo a coordenadora da Copom, ainda são um desafio para a prevenção. “As pessoas se percebem com comportamentos suicidas isolados, mas não procuram atendimento com medo de como serão enxergadas na sociedade”.

A gestora também alerta para a necessidade de fortalecimento da rede de apoio aos pacientes. “A Sesa dá apoio técnico aos municípios nos planos de prevenção e posvenção ao suicídio, mas ainda é necessário falar e pensar em ações intersetoriais, educação e assistência durante todo o ano, não somente em setembro”.

Setembro Amarelo


Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza, em território nacional, o Setembro Amarelo. O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a iniciativa acontece durante todo o ano. A mobilização é a maior anti-estigma do mundo. Em 2022, o tema da iniciativa é  “A vida é a melhor escolha!”.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da SESA
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