O aumento de 9,61% na conta de energia para empresas de alta tensão no Ceará já está em vigor desde a última quinta-feira (23) e deve impactar diretamente o comércio e o consumidor final. O reajuste foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica para clientes da Enel Ceará.
Apesar de atingir apenas cerca de 0,12% das unidades consumidoras, que incluem indústrias e grandes empreendimentos, o impacto é considerado significativo por especialistas. Para consumidores residenciais, o reajuste médio em 2026 foi menor, de 4,61%.
Segundo a Fecomércio Ceará, o aumento provoca um efeito duplo no comércio: eleva os custos operacionais das empresas e reduz o poder de compra das famílias, o que tende a diminuir o consumo.
Especialistas alertam que o reajuste deve gerar um efeito inflacionário em cadeia, já que a energia elétrica é um insumo essencial na produção de bens e serviços. Setores como têxtil, moveleiro, gráfico e alimentício estão entre os mais sensíveis ao aumento.
O presidente do Corecon-CE destaca que a energia é um custo difícil de substituir no curto prazo, o que leva à compressão das margens de lucro e ao repasse inevitável dos custos para o consumidor.
Entre os principais fatores que explicam a alta estão:
- Encargos setoriais, que subiram 17,8%;
- Custos de geração de energia, influenciados por condições hidrológicas menos favoráveis;
- Fim de subsídios temporários aplicados em 2025.
Embora parte das grandes empresas esteja no Mercado Livre de Energia, onde o impacto é menor, esse ambiente também enfrenta alta nos preços, com aumentos de até 121% em contratos de curto prazo, segundo a Abraceel.
Na prática, o cenário aponta para uma inflação de custos, redução da competitividade das empresas cearenses e possível aumento no preço de produtos e serviços nos próximos meses.