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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026

Brasil

Possível extinção do abono PIS/Pasep reduziria em 8% a renda anual dos trabalhadores

Especialistas avaliam impactos prováveis do fim do abono salarial

Gustavo
Por Gustavo
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Possível extinção do abono PIS/Pasep reduziria em 8% a renda anual dos trabalhadores
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O Governo Federal estuda a possibilidade de extinguir o pagamento do abono do PIS/Pasep para financiar o aumento do valor médio do Bolsa Família de R$ 190 para R$ 300. Apesar de contribuir para a redução da pobreza no País, a medida, caso se concretize, deve reduzir a renda anual dos trabalhadores em até 8%.

O abono salarial é pago uma vez ao ano aos trabalhadores com carteira assinada que ganhem de um a dois salários mínimos. O valor é proporcional ao número de meses trabalhados no ano base e pode chegar a R$ 1.100, cotação atual do mínimo.

Apesar de poderem coexistir, os benefícios têm públicos-alvo diferentes, tendo em vista que o abono é pago a trabalhadores formais e o Bolsa Família, para os mais vulneráveis que não possuem uma renda mínima suficiente para as necessidades básicas.

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PREJUÍZOS

Daniel Scarano, membro da Comissão de Direito do Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE), pontua que o prejuízo aos trabalhadores será imediato com o corte do abono, o que pode comprometer a renda anual em até 8%.

 

"Se isso é positivo, na teoria já é muito difícil saber, precisaríamos de números macroeconômicos. Na prática, é quase impossível", afirma.

Ele ainda pontua que a verba do abono do PIS/Pasep é advinda do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), constituído principalmente pelas contribuições patronais.

"Caso seja comprovado que a transferência dos recursos é melhor para todo mundo, o empregado vai ter que abrir mão do abono que ele recebe uma vez por ano para permitir que os mais pobres consumam mais e as empresas mantenham os empregos e criem novas vagas. Mas é nítido que é pior para o trabalhador de forma imediata", avalia Scarano.

NIVELAMENTO POR BAIXO

O coordenador do curso de Economia Ecológica da Universidade Federal do Ceará (UFC), Aécio Alves de Oliveira, ressalta que a medida busca um nivelamento nas camadas mais baixas, deixando de interferir onde de fato há concentração excessiva de renda.

 

 
"É tirar de quem tem pouco para dar a quem não tem nada. É a pior política de distribuição de renda, fazer isso por baixo. Quem tem pouco, fica com menos ainda e quem não tem nada fica com alguma coisa"
AÉCIO ALVES DE OLIVEIRA
Coordenador do curso de Economia Ecológica da UFC

 

Segundo ele, o ideal seria colocar em prática uma medida de justiça fiscal para tirar mais de quem ganha mais e transferir para quem ganha menos.

Oliveira ainda pontua que os trabalhadores que recebem o abono salarial já conta com essa renda extra todo ano para despesas essenciais que não conseguem ser cobertas com o salário do mês.

"As pessoas contam com esse dinheiro e fazem planos de reformar a casa, de comprar algo que precisa. Sempre é um dinheiro gasto com coisas essenciais que estão fazendo falta, especialmente bens duráveis, como fogão, geladeira, que é muito legítimo", esclarece.

MAIOR FOCALIZAÇÃO

Já o diretor-geral do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), João Mário de França, acredita que, caso a extinção do abono seja a única alternativa, a medida trará uma maior focalização na distribuição dos recursos.

"Vai prejudicar os trabalhadores que recebem. Mas se pensarmos em focalização, o público que merece mais atenção é o do Bolsa Família em comparação a quem já tem carteira assinada e recebe até dois salários mínimos", argumenta.

Ainda assim, ele defende que outras opções sejam analisadas antes de optar pelo sacrifício do abono salarial para financiar a ampliação do Bolsa Família.

"Qualquer definição de política social que eleve o valor médio do Bolsa Família é importante. O desafio que surge é de onde retirar do orçamento os valores pra compensar essa elevação. Acho que Governo poderia buscar outras fontes, como subsídios, incentivos ficais, temos muito problema de desoneração", aponta França.

FONTE/CRÉDITOS: Diário do Nordeste
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